Era animador o cenário. Ao conversar com os assentados só se via sonhos: criação de fábrica de polpa, de beneficiamento de mel, perfuração de poços, aquisição de trator, etc.
Hoje, ao visitar a vila, o cenário não é animador. Com a seca que atingiu o Nordeste nos últimos anos, muitos assentados não suportaram. Apenas sete casas estão habitadas. Os membros da vila não conseguiram pagar as parcelas referentes à compra da terra e aos financiamentos, abandonando o projeto. Só dívidas, juros altos, falta de motivação.
Falta investimento, suporte técnico, falta coragem e iniciativa. Os pequenos produtores foram literalmente abandonados pelo estado, que aparece apenas para oferecer o bolsa-família e um seguro para cobrir as perdas (pela seca).
O potencial da vila vai além do que se imagina: a perfuração de dois poços, sintonizada com a recuperação da plantação de caju, maracujá, pinha, verduras, a instalação de um orelhão na praça da vila, a recuperação da micro-indústria de beneficiamento de mel, o apoio do Estado oferecendo empréstimo para criação de galinhas, cabras e vacas, a recuperação da estrada de acesso, o suporte técnico para os assentados participarem das licitações da prefeitura e escoarem a produção com qualidade, são itens que podem ser implementados.
O Poço conta com dois vereadores que precisam entrar nessa luta e ir atrás do Banco do Nordeste, CODEVASF, CAR, EBDA, CEF, pedirem apoio aos deputados aos quais são ligados, e/ou buscar os ministérios que possam diminuir o sofrimento desses camponeses, que só saem da vila “no último pau de arara”.
É necessário uma equipe técnica ir ao local, fazer um estudo de viabilidade, ver o que pode ser produzido e como alcançar essa produção. Por outro lado, os membros que resistiram precisam se unir e voltar a sonhar!